3º Festival de música completa 50 anos

UM NOVO MOVIMENTO SURGIU

Há 50 anos, no dia 21 de Outubro de 1967, ocorria o encerramento do 3º Festival de MPB (Música Popular brasileira).  A partir daquele dia, um novo movimento musical começou a surgir, com Edu Lobo em parceria com Capinam, Gilberto Gil, Chico Buarque e Caetano Veloso, 4 primeiros colocados desta releitura do festival. Eles tornaram-se figuras chave desta nova  “MPB” com ideias tropicalistas que rompeu com o “politicamente correto”.

Ainda de forma não estabelecida, em 1967, a Record (que tinha contrato com esses artistas), estimulava conflitos em nome da audiência, e as falsas polêmicas geravam ibope e visibilidade. Paulinho Machado, que era diretor da emissora na época, via os festivais da emissora como encenados e verdadeiros torneios de luta livre, mas na época esse formato fazia muito sucesso.

Nessa queda de braço, era preciso haver um vilão, título que ficou com Sérgio Ricardo, por quebrar o violão em uma de suas apresentações e jogá-lo para a plateia. Neste contexto, havia também outros personagens, como a heroína Nara Leão com sua delicada música “A estrada e o Violeiro” e os rebeldes Gil e Caetano que tocavam com grupos de rock. Vaias eram incentivadas e ensaiadas para completar o espetáculo.

O formato do festival foi importante para o desenvolvimento e qualidade das canções e compositores. Essa geração teve a Bossa Nova como mãe, pois esee novo movimento ainda era frágil em 1966.

Em 1967, as canções  originais e maduras começaram a fazer frente à Bossa Nova, com canções e composições de alta qualidade, mostrando um Brasil potente, sem sentimento de vira-latas.

Chico Buarque surgiu crítico e bem longe dos sambas mais leves, assim como Caetano e Gil, com um projeto mais estético e unido à qualidade musical que ambos tinham.

DITADURA MILITAR

Não demorou muito para o regime militar, que contava com três anos de existência na época, começar a fechar todas as frestas de liberdade que existiam. Em 1968, todos os caminhos foram fechados, pois a ditadura ganhou força e fôlego para o início da repressão.

Em dezembro de 1968, Caetano e Gil foram presos e exilados, Chico Buarque se autoexilou e Edu foi estudar em Los Angeles. Nesta época, as patrulhas começaram a agir com violência e a alegria dos festivais se foi, restando apenas lembranças, boa música e as transformações que o período trouxe a música popular brasileira.

Ainda hoje a MPB se ressente de um evento como aquele. Os cinquentões certamente sentem saudades daqueles festivais, em que os melhores representantes jovens de nossa música – e não meros calouros do nível de The Voice – se inscreviam.

últimas notícias