A música nos tempos de crise

O QUE É FUNDAMENTAL PARA NOSSOS FILHOS?

Historicamente acostumados com crises econômicas, coisa corriqueira por aqui, a reação normal de nós, brasileiros, é cortar tudo o que achamos supérfluo quando as coisas não vão bem financeiramente. A lógica é que precisamos priorizar o que é imprescindível, como a escola dos filhos, a faculdade, o inglês que tanto será importante para o futuro deles, e por aí vai.

Mas, até onde o aprendizado da música pode ser considerado supérfluo? É claro que não podemos cortar itens básicos como alimentação, moradia, vestuário, e escola, etc. Mas, o que vemos na prática é que, para muitos pais, cortar a música é a primeira opção que lhes ocorre, sem deixar, contudo, de comprar o vídeo game novo, pagar o maior pacote de a TV cabo, comprar o tênis de marca (que nem é tão bom assim, mas….tem a marca), manter a natação, o futebol, o lazer, o curso de teatro e diversas outras atividades.

Claro que cada família tem uma realidade distinta, e são os pais que sabem o que é prioridade para seus filhos. Mas, a menos que o esporte (apenas para citar um exemplo) seja uma recomendação médica, sabemos que é um erro tender a deixar a música sempre como o último item na escala de prioridades. Além dos incontáveis benefícios no desenvolvimento intelectual e social, muito mais importantes do que dar-lhes o prazer do lazer, crianças e adolescentes que se dedicam à música ocupam seu tempo e suas mentes com atividades que contribuem para que se afastem de riscos comuns da idade, como sexo precoce, drogas, violência e outros que se tornam cada vez mais sérios em nossos dias.

É preciso resgatar conceitos básicos e lógicos. Crianças não possuem o discernimento para escolher o que é melhor para elas, e são os pais quem devem priorizar o que lhes fará melhor em seu futuro como indivíduos na sociedade e na vida profissional.

Mas, em tempos que pais se tornam cada vez mais reféns das vontades dos filhos, e que para se “livrar do problema” de lidar com contrariedades é mais cômodo deixa-los fazer o que querem, o que acaba ocorrendo é relegação do ensino musical para um plano bem menos importante, tal como um hobby ou uma mera diversão que pode ser mais facilmente cortada. Um erro…

Texto: Roberto Brandão

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